Uma mandioca de impressionantes 2,89 metros de comprimento foi a grande estrela da segunda noite do Festival da Farinha, realizada nesta quinta-feira, 28, no Complexo Esportivo do Aeroporto Velho, em Cruzeiro do Sul. O feito é do agricultor José Oliveira do Nascimento, o popular Zeca da Farinha, que há anos se consagra como um dos principais nomes da agricultura familiar da região.
Além da mandioca mais longa, a competição também premiou a mais pesada, com 14,3 quilos, cultivada por João Oliveira de Miranda, conhecido como João Cambão, outro veterano das disputas do festival. Ambos receberam um prêmio de R$ 2 mil cada pela conquista.
Zeca da Farinha, 47 anos, já é uma figura lendária no Festival da Farinha. Agricultor desde os 12 anos, ele acumula vitórias em diversas categorias — da melhor farinha ao melhor derivado da mandioca. Agora, soma mais uma medalha com a raiz quase do tamanho de uma criança de 10 anos.
“Só eu tenho essa qualidade de mandioca porque eu estudo as plantas”, contou Zeca, que desenvolve um processo de melhoramento das manivas há quatro anos, de forma autodidata. “O festival é a vitrine que a gente tem para mostrar o nosso trabalho. Se não fosse a prefeitura e a imprensa, a gente não teria como mostrar o valor da nossa produção”, completou.
Já João Cambão, 55 anos, venceu pela segunda vez na categoria da mandioca mais pesada. Segundo ele, o segredo está no tempo de cultivo prolongado — cerca de dois anos — e no uso de adubo natural. “Pela rachadura da terra a gente já vê que está no ponto. O prêmio ajuda a gente a investir mais no terreno e continuar plantando”, disse, com orgulho.
Muito mais que uma festa
As competições fazem parte da programação oficial do Festival da Farinha, promovido anualmente pela Prefeitura de Cruzeiro do Sul. Mas a proposta vai além da celebração: é também capacitação e valorização da produção local.
“O festival não é apenas festa, é valorização da nossa produção”, comentou o secretário municipal de Agricultura, Nildson Moura. “Hoje, cada vencedor recebeu R$ 2 mil. Amanhã tem o concurso da maior tapioca e, no encerramento, a melhor farinha pode render até R$ 7 mil em prêmios”, destacou.
Além dos concursos curiosos e emocionantes, o festival oferece oficinas e cursos em parceria com o Senar. E os resultados já aparecem: na primeira noite, um macarrão feito com casca de mandioca venceu o concurso culinário, mostrando que da mandioca nada se perde — tudo se transforma.