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Banco Pleno era “morto-vivo” e liquidação não surpreende, diz mercado

A liquidação extrajudicial do Banco Pleno, decretada nesta quarta-feira (18/2) pelo Banco Central (BC), era o desfecho já esperado de uma novela que se arrastava havia alguns meses e se agravou a partir do escândalo envolvendo o Banco Master, também liquidado pela autoridade monetária, em novembro do ano passado.

A análise é de economistas e agentes do mercado consultados pela reportagem do Metrópoles, nesta quinta, pouco depois do anúncio da liquidação do Pleno. Ainda segundo esses especialistas, não restavam muitas alternativas ao BC, até para minimizar os riscos de eventual contágio financeiro.

“O Banco Pleno apresentava comprometimento grave da sua situação econômico-financeira e descumpriu normas que regem o setor bancário, ignorando determinações da autoridade”, afirma Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos. “Neste sentido, entendendo que não havia caminho seguro para recuperação da instituição e buscando evitar quaisquer tipos de contágio, o BC optou pela liquidação. Era questão de tempo até a liquidação ocorrer.”

Para Perri, “o banco era um ‘morto-vivo’ desde novembro e já não tinha mais condições de captar dinheiro no mercado para financiar suas operações ou honrar vencimentos”.

O Pleno (ex-Voiter) e a Pleno DTVM já integraram o conglomerado do Banco Master, investigado por supostas fraudes financeiras. O Banco Pleno era do empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master.

Segundo o BC, o Pleno é um conglomerado de pequeno porte, enquadrado no segmento S4 da regulação prudencial, e que tem como instituição líder o Banco Pleno. O conglomerado detém 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

De acordo com o BC, a liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira do Pleno, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do BC. Com a liquidação, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos administradores do Pleno e da Pleno DTVM.

“Mesmo juridicamente fora do conglomerado Master, o Pleno sofreu contágio e crise de reputação. Sem dúvida, a liquidação do Master impactou no Pleno, que já vinha enfrentando problemas próprios”, explica Perri.

“Com a liquidação do Master e a prisão de Augusto Lima na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, ficou claro que a instituição entrou em um ponto sem retorno, no qual não seria capaz de achar compradores devido ao risco reputacional”, completa o economista.

Investidores devem ter “serenidade”

Segundo Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, apesar do susto e da preocupação com a liquidação do Banco Pleno, os clientes e investidores da instituição financeira devem ter calma e cautela neste primeiro momento.

“O momento exige serenidade. Liquidações fazem parte do sistema financeiro e, historicamente, o arcabouço regulatório brasileiro é robusto. O principal aprendizado é a importância da diversificação institucional e da análise de risco da contraparte, e não apenas do produto”, afirma.

Para Trevisan, “o investidor não deve tomar decisões precipitadas”. “O correto é buscar informação oficial, confirmar o enquadramento do seu investimento e, se necessário, contar com orientação profissional para atravessar o processo com segurança”, avalia.

O que diz o FGC

A liquidação extrajudicial do Banco Pleno deve elevar a conta do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em quase R$ 5 bilhões, segundo informações do próprio órgão. De acordo com nota divulgada pelo FGC, “o Banco Pleno tem uma base estimada de 160 mil credores com depósitos elegíveis ao pagamento da garantia, que somam R$ 4,9 bilhões”.

O FGC informa ainda que “os pagamentos serão efetuados conforme Regulamento do FGC e a partir dos dados e valores indicados pelo liquidante (responsável legal indicado pelo Banco Central)”.

“Todos os créditos enquadrados no Regulamento do FGC terão o processo de pagamento iniciado tão logo o levantamento dos dados dos credores seja concluído e disponibilizado”, diz o comunicado do fundo.

Somando esse valor aos R$ 40,6 bilhões do Banco Master e aos R$ 6,3 bilhões do Will Bank – também liquidados pelo BC –, o total deve chegar a R$ 51,8 bilhões apenas em garantias – sem levar em consideração os empréstimos emergenciais recebidos do FGC.

“Solicitamos aos credores que utilizem o Aplicativo FGC, desenvolvido para simplificar o processo de pagamento de garantias, de forma ágil e totalmente online. O aplicativo do FGC está disponível nas lojas Apple Store ou Google Play e os credores já podem realizar seu cadastro básico. Em etapa posterior, assim que o FGC receber a relação dos credores do liquidante, será possível realizar a solicitação da garantia, com a identificação do beneficiário e a indicação da conta de sua titularidade, onde o valor da garantia será depositado”, informou o FGC.

“Os depositantes e investidores devem acompanhar o processo pelas redes sociais e pelo site do FGC, onde serão disponibilizadas todas as informações e atualizações do processo”, diz a nota.

Criado há 30 anos, em 1995, o FGC é uma instituição privada, sem fins lucrativos, que atua como uma espécie de seguro, protegendo alguns tipos de investimentos e depósitos feitos em instituições financeiras. Além dos clientes, o FGC também auxilia os próprios bancos.

O fundo é formado a partir de recursos depositados periodicamente pelas instituições financeiras associadas (veja a lista completa aqui) – entre as quais a Caixa Econômica Federal e bancos comerciais, de investimento e de desenvolvimento.

Os bancos realizam depósitos que criam uma margem financeira de segurança da qual sairá o dinheiro para pagar clientes e investidores, caso a instituição financeira vá à falência.

O depósito no FGC é de 1 ponto-base (0,01%) mensal sobre o saldo de todos os depósitos elegíveis. O valor máximo coberto pelo fundo é de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e por instituição financeira.

Atualmente, o FGC tem mais de 220 instituições financeiras associadas. Segundo dados do fundo, 99,6% dos clientes dessas instituições estão 100% cobertos pela garantia de R$ 250 mil.

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