Fósseis encontrados na Espanha podem fornecer novas pistas sobre como os dinossauros evoluíram, segundo um estudo publicado neste domingo (01/02) no jornal científico Papers in Paleontology.
O pesquisador Fidel Torcida Fernandez-Baldor, do Museu de Dinossauros de Salas de los Infantes, no norte da Espanha, descobriu os fósseis, que juntos representam pelo menos cinco dinossauros individuais de uma espécie até então desconhecida: o Foskeia pelendonum. O museu se concentra em fósseis do período Cretáceo.
“Desde o início, sabíamos que esses ossos eram excepcionais devido ao seu tamanho diminuto. É igualmente impressionante como o estudo deste animal derruba ideias globais sobre a evolução dos dinossauros ornitópodes”, disse Fernandez-Baldor em nota à imprensa divulgada pela Universidade Vrije de Bruxelas, que contribuiu para o estudo.
Os ornitópodes herbívoros são um dos sete principais grupos de dinossauros. O nome ornitópode significa “pé de pássaro”, já que esses dinossauros se locomoviam sobre duas patas. O Iguanodon, que chegava a medir até nove metros de comprimento, é uma das mais populares espécies de ornitópode.
Fósseis do recém-descoberto Foskeia pelendonum mostram que o dinossauro media pouco mais de meio metro de comprimento. O nome Foskeia, em grego, do qual muitos nomes de dinossauros derivam, significa algo próximo a “de forragem leve”, de acordo com a Universidade Livre de Edimburgo.
“Este não é um ‘mini Iguanodon’, é algo fundamentalmente diferente […] sua anatomia é peculiar, precisamente da maneira que permite reescrever árvores evolutivas”, disse a coautora do estudo Penelope Cruzado-Caballero, da Universidade de La Laguna, na Espanha.
Por que esse dinossauro é diferente?
A equipe de paleontólogos que assina o estudo se diz fascinados pela complexidade do minúsculo crânio do Foskeia.
Marcos Becerra, da Universidade Nacional de Córdoba, observou que “a miniaturização não implica simplicidade evolutiva; este crânio é peculiar e hiperderivado”, segundo consta no comunicado de imprensa.
Já Thierry Tortosa, da Reserva Natural Sainte Victoire, na França, afirmou que o dinossauro “ajuda a preencher uma lacuna de 70 milhões de anos; uma pequena chave que destranca um vasto capítulo perdido”.
Paul-Emile Dieudonné, da Universidade Nacional de Rio Negro, na Argentina, que liderou o estudo, escreveu que o “tamanho extremamente pequeno” do Foskeia era notável. “Ele, no entanto, preserva um crânio altamente derivado [ou seja, com características não presentes em seus ancestrais mais antigos], com inovações anatômicas inesperadas”.
“Esses fósseis provam que a evolução experimentou de forma tão radical em tamanhos corporais pequenos quanto em tamanhos grandes. O futuro da pesquisa sobre dinossauros dependerá da atenção dada ao humilde, ao fragmentário, ao pequeno”, concluiu Dieudonné.


