terça-feira, 18 junho 2024 - 7:13
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Mesmo com baixa do Rio Acre em Brasiléia, não há previsão de retorno das famílias para casa:

No último sábado (2), o nível do rio marcava 9,75 metros, abaixo da cota de alerta que é de 9,80 metros. Nesta segunda, não foi divulgada a medição do manancial na cidade até a última atualização desta reportagem.

De acordo com a prefeita de Brasiléia, Fernanda Hassem, muitos moradores estão indo até suas casas para limpar, porém retornando para o abrigo. “A Defesa Civil não recomendou a volta pra casa, não teve aquela operação volta pra casa, entende? Porque é muito prejuízo, muitas casas destruídas”, explicou.

A gestora também explica que está impossibilitado a volta das famílias para casa por falta de acesso às ruas. “A cidade está destruída. Não tem acesso nem nas ruas, desmoronou e tá cheio de entulho. Mas uma força-tarefa já foi montada e deve começar hoje a limpeza geral da cidade”, disse.

Segundo o coordenador da sala de crise de Brasiléia, subcomandante-geral do Corpo de Bombeiros do Acre, coronel Eden Santos, o impacto da cheia foi violento para os moradores da cidade.

“Nós estamos fazendo todos os levantamentos, levantando todos os impactos nas ruas, nos órgãos públicos, tudo está sendo feito, então a tarefa ainda é muito grande para poder voltar pra casa, a gente percebe muitas pessoas chegando, muitas pessoas fazendo limpeza, mas assim, retorno para casa vai requerer um certo tempo pra poder deixar numa condição satisfatória, porque o cenário aqui é desastroso“, disse.

O coordenador ainda explicou que é necessário fazer vistorias para verificar o impacto que a cheia histórica no município, deixou nas casas. Será necessário averiguar as condições de habitabilidade das residências.

“No centro da cidade está desastroso. Todos os ambientes onde a água chegou, com muita força, gerou grandes impactos. Não tem como te falar com precisão quando as pessoas vão retornar para casa. Então tem muito desabrigado, tem muito desalojado, que ainda vai demorar pra poder retornar para sua casa”, explicou.

Imagem Prefeitura de Brasiléia Imagem Júnior Andrade/Rede Amazônica Acre

Praça de Brasiléia durante e depois da alagação, uma semana depois de registrar cheia histórica — Foto 1: Prefeitura de Brasiléia — Foto 2: Júnior Andrade/Rede Amazônica Acre

Santos ainda salientou sobre um ponto pouco comentado: os efeitos psicológicos que a calamidade pode ter causado nos moradores.

“Ainda tem a questão do impacto psicológico na pessoa. Esse lance do pertencimento, de saber que viveu e que estava vivendo nessa casa, e de repente volta para o cenário destruído. Leva tempo para a pessoa poder recuperar também, não só o bem, mas também a condição emocional, psicológica, para continuar vivendo num ambiente que foi atingido por um desastre desse”, destaca.

A ministra Marina Silva destacou novamente eventos como as enchentes são agravadas por alguns fatores: desmatamento, assoreamento de rios e a mudança do clima.

“Por isso estamos trabalhando um plano estruturante, são nove ministérios trabalhando para que a gente possa dar uma resposta junto com os estados mais ponderáveis e os municípios mais ponderáveis. E, obviamente, a principal ação é enfrentar a causa do problema: desmatamento, que aumenta a temperatura da terra, faz com que a haja o assoreamento dos rios e também faz com a gente tenha cada vez mais esses eventos”, confirmou.

Acre enfrenta enchentes históricas

Segundo a Defesa Civil Municipal, a enchente em Brasiléia atingiu 15.312 pessoas. Doze bairros ficaram alagados e montados 16 abrigos para instalar os moradores desabrigados.

Também nesta segunda, o governo federal liberou mais de R$ 20 milhões para as ações de assistência aos atingidos pelas enchentes no Acre, na capital e no interior do estado. As portarias foram publicadas nas edições dos dias 29 de fevereiro e 4 de março, no Diário Oficial da União (DOU).

Ministros da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, chegaram ao Acre nesta segunda-feira.

  • a influência do El Niño
  • o atraso do “inverno amazônico”, como é conhecida a estação chuvosa na região
  • o impacto do aquecimento do Oceano Atlântico

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